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Entrevista com Patrícia: por trás das imagens que as crianças amam

Na Trinta-por-uma-linha acreditamos que um livro infantil não começa nas palavras, antes parte das imagens que as acompanham e dão vida. Por isso, hoje convidamos-te a conhecer melhor uma das ilustradoras com quem temos o privilégio de colaborar: a Patrícia.

Com um percurso que nasceu do amor ao desenho desde pequenina, passou pelo design de equipamento e floresceu na ilustração depois do nascimento da sua filha, a Patrícia traz para cada página uma mistura única de sensibilidade, técnica e intenção. Lápis de cor na mão e muito papel à frente, ela transforma textos em mundos que as crianças adoram explorar.

Nesta entrevista, falámos sobre o seu processo criativo, sobre o papel da ilustração no desenvolvimento dos leitores mais novos e sobre os desafios de ser ilustradora em Portugal.

E: Como começou o teu percurso na ilustração e, em particular, na ilustração para livros infantis?

P: Desde bem pequenina que gosto de desenhar e acho que o gosto pela ilustração vem dessa altura. O meu caminho na formação seguiu uma área diferente, tirei o curso de Design de Equipamento, uma área que também gosto muito, e durante vários anos trabalhei em empresas e na indústria como designer.

Com o nascimento da minha filha mais velha tive vontade de mudar de rumo. A ilustração sempre fora uma paixão, mas talvez por estar mais desperta para o mundo infantil tornou-se numa vontade. Tive a oportunidade de colaborar com um atelier de comunicação direcionado para o público infantojuvenil e foi aí que iniciei o meu percurso como ilustradora.

 

E: Que papel achas que a ilustração desempenha na formação do leitor infantil?

P: Um papel importantíssimo, pois é através da imagem e da descodificação pictórica que a criança adquire competências de leitura e de interpretação de textos, para além disso, a ilustração potencia o imaginário infantil com a sua diversidade de personagens, contextos e até estilos.

 

E: Consideras que ilustrar para crianças implica responsabilidades específicas? Quais?

P: Claro que sim, o universo que eu represento nas minhas ilustrações será absorvido e fará parte do universo do leitor. A minha ilustração pode assumir um exemplo na criação de estereótipos comportamentais ou imaginativos e pode também comprometer a narrativa impossibilitando a compreensão da mensagem ou do texto.

 

E: Como é o teu processo criativo desde que recebes o texto até à ilustração final?

P: O meu processo criativo é quase sempre semelhante quando recebo um texto. Após receber o texto e o ler diversas vezes, por vezes até quase o decorar, imagens começam a aparecer mentalmente e esboço-as. Faço nesta fase uma pausa, um tempo que me permita absorver o texto e pensar nos primeiros esboços com o ambiente que me rodeia, uma das minhas maiores inspirações.

Volto a esboçar, e aqui começo a pensar nos materiais que vou usar, na cor e na mensagem que pretendo passar através dela. Idealizo como quero e o que quero dizer com a ilustração e começo a desenhar. Isto é todo um processo de esboçar, observar, desenhar, escrever, apagar, riscar, sublinhar, construir… Depois é começar a ilustrar, testar os traços e as cores, repetir quando há erros e improvisar quando é preciso.

 

E: De que forma o texto influencia as tuas escolhas visuais?

P: Cada texto, para além da mensagem, tem características específicas. A sua estrutura e ritmo, o tom emocional, a descrição textual de elementos, personagens e cenas, o seu público alvo, tudo isto influencia e determina a minha escolha para que a ilustração seja uma experiência visual.

 

E: Como descreves a tua experiência de colaboração com a nossa editora?

P: Excelente! A Trinta Por Uma Linha é uma editora que considero aberta, com visão e qualidade. A minha colaboração como autora e coautora tem sido muito gratificante.

 

E: Que técnicas utilizas com mais frequência (tradicional, digital ou mista)? Podes dar uma foto?

P: Ao longo do meu percurso como ilustradora, tive diversas fases nas técnicas usadas. Já ilustrei digital, mista e hoje uso mais uma técnica tradicional, onde o papel, os lápis e, essencialmente, os lápis de cor, materializam os meus desenhos.

 

E: Há alguma ferramenta ou material de que não abdicas no teu trabalho?

P: Sem dúvida papel e lápis.

 

E: Quando ilustras, pensas no leitor final? De que forma?

P: Claro que sim. Analiso a quem se destina a ilustração, qual a sua mensagem e intenção e, de acordo com o leitor alvo, adequo a imagem em forma, cor e conteúdo.

 

E: Já recebeste algum feedback de crianças ou mediadores de leitura que te tenha marcado?

P: Sim recebi e deixou-me muito feliz por saber que chego de forma prazerosa, educativa ou emocional a quem vê e lê as minhas ilustrações.

 

E: O que gostarias que uma criança sentisse ao folhear um livro ilustrado por ti?

P: Essencialmente, prazer em ver as imagens e nelas “ler” algo mais do que diz o texto e com elas conseguir imaginar e dar continuidade à cena.

 

E: Que desafios enfrentas atualmente como ilustrador(a) de livros infantis?

P: Infelizmente, em Portugal, é difícil viver profissionalmente da ilustração. São poucos os leitores, o poder de compra não é grande e o mundo digital veio tirar uma grande parte deste consumo, o mercado está mais saturado, não necessariamente com boas ilustrações, e por vezes é difícil chegar a quem edita. Mas sei que continua a haver espaço para novas ideias e caminho por fazer.

 

E: Que conselho darias a quem quer começar na ilustração infantil?

Que comece por trabalhar, muito, não só em termos gráficos, mas conhecendo o que fazer e o que não fazer, por estudar e interpretar o que existe e por conhecer seu público-alvo.

AS OBRAS ILUSTRADAS PELA PATRÍCIA (BOLOTA)

Se ficaste com vontade de ver o trabalho da Patrícia de perto, aqui ficam algumas das obras que ela ilustrou e que podes encontrar na nossa loja. Cada uma delas é uma prova de que a ilustração não é apenas decoração, é parte da história.

De Onde Vêm os Abraços? é uma obra que convida os jovens leitores a refletir sobre a importância do afeto e da sua presença no quotidiano. Através da história de Nélia Regina, uma menina que partilha o seu mundo com quem a rodeia por meio de abraços e que tem como amiga uma árvore com quem faz confidências, este livro explora de forma sensível como gestos simples podem ter um impacto profundo nas relações humanas. A forma como a narrativa aborda temas como a empatia torna esta leitura particularmente recomendável para pais, educadores e leitores a partir dos 9 anos que queiram desenvolver a compreensão emocional e a sensibilidade afetiva das crianças.

O País do Faz‑de‑conta é uma fábula imaginativa que prende a atenção dos leitores através do percurso de um “bicho de faz-de-conta” pelo universo mágico do Faz-de-Conta, onde encontra criaturas diversas. Esta obra estimula a imaginação e o sentido de descoberta, permitindo que os leitores a partir dos 9 anos se aventurem por uma narrativa de fantasia. A linguagem acessível e o ritmo envolvente tornam este livro uma excelente opção tanto para leitura autónoma como para partilha em contexto familiar ou escolar, promovendo o gosto pela leitura e pela exploração de mundos fictícios.

Por último, Dédalo, o Maior Inventor do Mundo é dedicado para os leitores mais crescidos; esta é uma viagem à Grécia Antiga com um dos personagens mais fascinantes da mitologia: Dédalo, o inventor, o arquiteto, o génio. É uma narrativa rica, cheia de tensão e humanidade, que mostra como até os maiores génios carregam as suas sombras. A Patrícia ilustra este universo mitológico com uma sensibilidade que equilibra o peso dramático da história com a beleza visual que caracteriza o seu trabalho. Recomendado pelo PNL para leitura orientada no 7º ano.

Temos um Cupão especial para ti! Usa o código ILUSTRADOR na nossa loja e beneficia de um desconto nas obras da Patrícia e de outras duas grandes ilustradoras. Uma forma de levar para casa um pedacinho do universo que ela cria com tanto carinho — página a página, traço a traço.

Depois de conhecermos um bocadinho mais da Patrícia e das suas belas obras, fica difícil não querer folhear (de novo) cada livro com outros olhos.

Porque por trás de cada personagem, de cada cor escolhida e de cada traço há uma história, uma intenção e muita dedicação. E é isso que faz a diferença.

Se ainda não conheces os livros ilustrados pela Patrícia, esta é a tua deixa! Passa pela nossa loja e descobre as histórias que ela ajudou a criar — prometemos que vais querer levá-los todos para casa.